O Rio Grande do Norte acumulou um prejuízo estimado em R$ 1,69 bilhão entre janeiro e novembro de 2025 devido aos chamados curtailments — cortes de geração de energia renovável determinados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para evitar sobrecarga no sistema. Esses cortes afetaram principalmente a geração eólica e solar no estado, tornando-o o mais impactado do Brasil no setor de energias limpas no período analisado. Em novembro, o RN teve 28,99% de sua capacidade de geração interrompida, repetindo o desempenho negativo observado no mês anterior.
Especialistas e autoridades ligadas ao setor energético apontam que o cenário é reflexo de descompassos entre a produção e a infraestrutura de transmissão, o que impede o escoamento de parte da energia produzida. A situação preocupa investidores e geradores locais, que já enfrentaram perdas significativas em meses consecutivos, com interrupções chegando a quase metade da capacidade instalada em alguns momentos. O impacto econômico dessas interrupções também impulsionou debates sobre a necessidade de compensações financeiras e ajustes regulatórios no setor.
Para tentar mitigar o problema, o governo estadual e o setor produtivo têm discutido soluções estruturais, como a ampliação das linhas de transmissão e a instalação de equipamentos como compensadores síncronos que podem ajudar a estabilizar a rede. Essas medidas, contudo, demandam tempo e investimentos robustos, com projeções de execução que podem se estender até o fim da década, segundo autoridades envolvidas. Enquanto isso, o prejuízo acumulado e a redução da geração colocam em evidência a urgência de ajustes na infraestrutura energética potiguar.
