De 2010 a 2023, a Bahia registrou um aumento de 307% nos acidentes envolvendo elevadores, passando de 119 ocorrências para 485 no período. O levantamento do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA, com base no Sinan, mostra que o estado lidera esse tipo de ocorrência no Nordeste e está entre os primeiros do país. Somando os registros do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), foram 212 mortes associadas a elevadores nessa janela temporal — 65% delas em acidentes de trabalho.
As inspeções feitas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) revelam que muitas empresas do setor descumprem normas técnicas essenciais, como a exigência de diários detalhados de manutenção, com descrição de todas as intervenções, peças trocadas, nomes de técnicos. Há também relatos de uso de profissionais sem formação adequada, sem registros nos conselhos competentes, recondicionamento ilegal de peças e improvisos para estender a vida útil de componentes já danificados.
Casos extremos ilustram o problema: em novembro de 2024, dois trabalhadores caíram de um elevador em Salvador, no condomínio Splendor Reserva do Horto, e morreram. Era comum que se registrassem falhas elétricas, cheiro de fumaça, choques ao acionar botões, antes mesmo da tragédia completa. O MPT notificará mais de 80 empresas após as inspeções e busca apurar responsabilidades técnicas e legais. Enquanto isso, a população permanece em alerta, exigindo fiscalização rigorosa e cumprimento de normas para evitar que vidas continuem sendo perdidas.
